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Doenças e Procedimentos



INSTABILIDADE

O ombro é a articulação com a maior capacidade e amplitude de movimento, permitindo um amplo grau de movimento em todos os planos. Devido a esta grande mobilidade, a articulação glenoumeral é uma das mais instáveis e freqüentemente luxadas do corpo, correspondendo a cerca de 50% de todas as luxações, o ombro trocou sua estabilidade pelo amplo grau de movimento. Os estabilizadores mecânicos ou estáticos do ombro são: glenóide óssea, lábio glenoidal, cápsula articular, ligamentos glenoumerais.

Os estabilizadores dinâmicos são: músculos do manguito rotador e escapulares. O equilíbrio entre eles é responsável pela estabilidade da articulação do ombro, em algumas situações o ombro pode luxar devido a uma lesão extensa do manguito.

INSTABILIDADE GLENOUMERAL

A instabilidade do ombro é definida como o escorregamento da cabeça umeral para fora da cavidade glenoidal durante atividades, causando sintomas, podendo variar desde subluxação até luxação.A luxação é a perda total de congruência entre as superfícies articulares do úmero e da glenóide normalmente não voltando ao lugar de forma espontânea.A subluxação é a perda de contato parcial entre as superfícies freqüentemente voltando ao lugar (reduzindo) de forma espontânea.

A instabilidade do ombro ocorre em cerca de 2% da população, sendo a maioria homens (85-90%), com menos de 20 anos (88-95%), durante eventos esportivos (75%). Aproximadamente 25% dos pacientes relatam história familiar e alguns estudos demonstraram que a taxa de recorrência da lesão é alta, sendo maior quanto mais novo o paciente.As possibilidade de reincidência depois de um primeiro episódio varia de 55 a 100%,sendo maior no indivíduos mais jovens e ativos.

A classificação das instabilidades é baseada tradicionalmente na direção (anterior, posterior, inferior e multidirecional), na freqüência (aguda, recorrente e crônica) e na etiologia (traumática, atraumática, microtrauma, congênita e neuromuscular) isto é o que na maioria das vezes direciona o tratamento. Na maioria das vezes, as instabilidades anteriores são diferenciadas em dois grandes grupos: AMBRI (atraumatic, multidirecional, bilateral, rehabilitation, inferior capsular shift) TUBS (traumatic, unidirecional, Bankart lesion, surgery) sendo esta a mais freqüente . Os pacientes com etilogia traumática, geralmente têm lesão da porção ântero-inferior do lábio glenoidal (Bankart ou suas variantes), e podem ter lesão de Hill-Sachs (Fratura por impactação da borda póstero-superior da cabeça umeral) associada (74%). Outras lesões associadas descritas são: ruptura do manguito (13%), corpos livres (14%), fratura com avulsão glenoidal (4%) e lesão do lábio glenoidal posterior (10%). Uma possível complicação da luxação glenoumeral ântero-inferior é a lesão do nervo axilar ou de seus ramos, causando atrofia dos músculos por eles inervados.

DIAGNÓSTICO POR IMAGEM

As luxações podem ser avaliadas pela radiografia convencional, através dos achados de lesão de Hill-Sachs e Bankart ósseo. Na vigência de instabilidade anterior do ombro, é essencial que sejam obtidas, inicialmente, imagens radiográficas simples.

Ainda na fase aguda, devido à presença de derrame articular que promove distensão capsular e contraste natural, a ressonância magnética (RM) convencional pode demonstrar recisamente a lesão labral resultante do deslocamento glenoumeral.A importância desse exame se dá no diagnóstico de lesões associadas e programação cirúrgica.

TRATAMENTO

O tratamento da instabilidade do ombro depende do seu diagnóstico.As instabilidades traumáticas (que ocorrem sem nenhum tipo de traumatismo) podem ser tratadas inicialmente de forma nâo cirúrgica com equilíbrio muscular e treino de propriocepção. Na falha deste tratamento por 3 a 6 meses o tratamento cirúrgico é indicado. O procedimento indicado na maioria das vezes é a plastia da cápsula articular podendo ser realizada por via artroscópica ou aberta.

A instabilidade de origem traumática é de tratamento cirúrgico objetivando a correção da lesão de Bankart ( desgarramento da cápsula da borda da glenóide). Hoje há uma tendência de se tratar a instabilidade do ombro em alguns casos selecionados após seu primeiro episódio visando diminuir as possibilidades de recidiva, reintegrar o paciente de forma rápida as suas atividades físicas ou laborais, e impedir danos articulares causados por sucessivos episódios de luxação.

Com a artroscopia (cirurgia minimamente invasiva realizada com uma pequena câmera) a cirurgia para estabilização do ombro tornou-se mais efetiva muito menos dolorosa e de mais rápida reabilitação. Com a artroscopia é possível corrigir a lesão de bankart através de espaços naturais do ombro evitando lesões desnecessárias as partes moles com pequenas incisões de aproximadamente 5mm. O resultado da cirurgia artroscópica é muito semelhante em termos de estabilização em relação à aberta o índice de recidiva pós-cirúrgica é por volta de 7%.